terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Introdução: Como a Vida Surgiu e Como Evoluiu


Como surgiu a vida no planeta Terra? Essa é, sem dúvida, a mãe de todas as perguntas. A pergunta em si é simples, mas a resposta não é trivial. Ou melhor, é ainda incompleta. Pode parecer temerário escrever uma temporada do blog a respeito de um tema sobre o qual há poucos fatos estabelecidos, mas esse tópico é central a nossa existência e já vem ocupando a mente dos filósofos e pesquisadores de diversas áreas há muito tempo. É um tema recorrente, que não pode ser ignorado, principalmente, em um momento no qual cresce o interesse pelo misticismo e por descrições de origem da vida sem um maior comprometimento com o método científico.

Apesar de algumas evidências, na sua essência, a história da vida constitui ainda um objeto predominantemente especulativo. Por isso mesmo, a discussão sobre esse tópico acomoda um grande conjuntos de argumentos, desde os mais conservadores até aqueles mais metafísicos. Essa temporada tratará apenas da versão materialista para a origem da vida.

Há outras perguntas decorrentes da primeira cujas respostas são igualmente difíceis: existe vida em outros planetas? A vida fora da Terra é semelhante à nossa? Evoluiu do mesmo modo? Dadas condições favoráveis, o aparecimento da vida é inevitável? E assim por diante.

Assim com o qualquer grande mistério que se preze, é preciso contar com algumas pistas. Como em um conto policial tradicional, no início parecem não fazer muito sentido, mas graças à sagacidade dos detetives, passam aos poucos a encaixar-se num esquema geral, que culmina em uma solução dramática. É assim também com a natureza, que periodicamente revela algumas pistas que se tornam objeto de estudo minucioso pelos cientistas. Os pesquisadores se agarram a essas migalhas com uma tenacidade admirável e daí extraem o máximo de informação possível. Mias adiante, conseguem juntar todos os indícios disponíveis e elaboram um modelo geral, mas diferentemente dos romances policiais não desvendam todo o problema. Como veremos depois, esses modelos estão ainda restritos ao campo das hipóteses. Faltam as provas conclusivas, que talvez nunca apareçam. E, desse modo, a discussão vai prosseguir até a chegada de uma nova leva de dados, ou de propostas mais imaginativas que, juntando-se ao conhecimento já existente, completarão mais algumas peças desse enorme quebra-cabeça.

Mesmo que a solução ainda não esteja iminente, já temos alguns pontos de partida que têm sido foco de intermináveis e fascinantes discussões. Estas serão narradas nas continuações. A graça talvez esteja aí mesmo, nas próprias discussões. Se o grande mistério da vida já estivesse resolvido e arquivado, com certeza estaríamos correndo atrás de outro enigma também instigante, pois a mente humana criativa precisa desse exercício dialético. Enfim, essa temporada do blog começa com as pistas existentes e depois apresenta as interpretações vigentes mais plausíveis. Como a tecnologia disponível sofistica-se cada vez mais, é bem possível que com a criatividade da mente humana a solução do enigma apareça em breve. Por exemplo, os resultados de investigações recentes realizadas por sondas no planeta Marte sugerem fortemente a presença de água sob a superfície da calota polar. O gás metano também foi há pouco tempo detectado naquele planeta. Sabemos que se a vida extraterrestre for parecida com a nossa, a água é um pré-requisito. No caso do metano, este seria um indício de vida atual ou passada. Quem sabe daqui a pouco teremos evidências de fósseis em Marte? Nesse contexto, já estão planejadas missões àquele planeta com o objetivo de investigar se os microfósseis que porventura serão encontrados contêm DNA, ou moléculas parecidas. Indo mais longe ainda, o projeto SETI (sigla em inglês do projeto Busca de Vida Inteligente Extraterrestre) está examinando, por meio de radiotelescópios potentes, regiões distantes do Universo tentando encontrar sinais de rádio que possam revelar a presença de civilizações que também queiram se comunicar. Assim, vivemos um momento muito excitante durante o qual tentamos responder as indagações que fazemos por meio de experimento in loco, algo que há pouco tempo era impensável.

O que se espera com essa temporada é que as ideias aqui contidas sejam suficientemente motivadoras para que o próprio leitor queira também se engajar nessa busca e possa um dia vir a contribuir para a discussão mais primordial que se conhece. Para isso, basta ler e pensar.





Fonte: AB INITIO de Franklin David Rumjanek

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